Os bancos tornaram-se mais restritivos na concessão de empréstimos no terceiro trimestre de 2008, face ao trimestre anterior, segundo o Inquérito do Banco de Portugal junto de cinco grupos bancários portugueses.
Essa maior restrição traduziu-se em "spreads" mais elevados, uma tendência que deverá continuar a verificar-se nos últimos três meses deste ano.
Os bancos tornaram-se mais restritivos na concessão de empréstimos no terceiro trimestre de 2008, face ao trimestre anterior, segundo o Inquérito do Banco de Portugal junto de cinco grupos bancários portugueses.
Essa maior restrição traduziu-se em "spreads" mais elevados, uma tendência que deverá continuar a verificar-se nos últimos três meses deste ano.
No documento, publicado hoje, o Banco de Portugal revela que as instituições inquiridas "tornaram-se mais restritivas, em todos os segmentos (crédito às empresas, habitação e consumo)".
Um reflexo da "forte turbulência nos mercados financeiros internacionais" que resultou num "aumento do custo de financiamento e restrições de balanço dos bancos".
Estes "terão sido os principais factores determinantes para o aperto dos critérios de aprovação dos empréstimos", salienta o Banco de Portugal, acrescentando que a "alteração de critérios ter-se-á traduzido em 'spreads' de taxa de juro mais elevados e num aumento de restritividade das restantes condições contratuais".
Aperto vai continuar
As perspectivas não são muito animadoras.
Com base no inquérito realizado às cinco instituições, o Banco de Portugal afirma que deverá "continuar a aumentar a exigência dos critérios de aprovação de empréstimos, sobretudo no que respeita aos empréstimos concedidos a longo prazo a empresas e a particulares para aquisição de habitação".
Para os empréstimos à habitação, "os bancos inquiridos antecipam adoptar critérios de concessão de empréstimos para aquisição de habitação mais restritivos, sobretudo três instituições, que reportaram a adopção de critérios consideravelmente mais exigentes", destaca o Banco de Portugal.
Nos créditos ao consumo, "deverá registar-se um aperto adicional", na medida em que, segundo o resultado do inquérito revelado hoje, "apenas uma instituição não antecipa efectuar alterações nos seus critérios e três instituições indicaram a intenção de adoptar critérios consideravelmente mais restritivos".
Ao mesmo tempo a que se assiste a uma maior restritividade na concessão de empréstimos, os bancos transmitiram ao Banco de Portugal a expectativa de diminuição da procura [neste quarto trimestre], que deverá ser especialmente relevante nos empréstimos a particulares, nomeadamente nos empréstimos para aquisição de habitação".